Demorei muito tempo pra gostar de Pink Floyd. Insisti muito só porque tinha certeza de que realmente valeria a pena. Aprendi a gostar na marra, não pra me achar mais refinada, mas sim pra ter pra onde correr quando determinadas coisas acontecem ou para quando estou sentindo determinados sentimentos. específicos.
Parar e ouvir o Dark Side of the Moon. Sempre é bom. Quem não gosta dorme, quem gosta pensa. Pink Floyd me lembra máquina, me lembra caipiras, me lembra coral de igreja negra americada, também.
Domingo foi um dia muito importante pra minha vida. Talvez pra esse ano. Talvez só pra esse mês. Foi importante pra inflar meu ego, pra provar que sim - tu faz alguma coisa direito. É confortável quando se tem um papel que comprove e que deixe qualquer um - inclusive eu mesma - sem argumentos. Foi ótimo. Segunda cheguei em casa em colapso mental.
Depois de dois períodos completamente gregos no colégio, cheguei em casa sendo triturada pela máquina. Tipo produto com defeito, me senti um patinho que anda em círculos depois que alguém dá corda.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
numa escrivaninha
nasci loira e alta, mas fui bem cuidada só até os dois anos. depois disso, comecei a usar uma blusa rosinha, rasgada até o meio da minha barriga.
pra garantir minha temperatura, ando enrolada no meu paninho claro o ano inteiro. faça frio ou calor (já que sol não vejo quase nunca), estou sempre com ele por precaução.
não brincam nem conversam mais comigo. moro numa escrivaninha. já fui das amigas a líder, das vestidas a mais moderna, das feiticeiras a mais mágica, das bonecas as mais novas.
moro numa escrivaninha. nasci, cresci e virei enfeite. não pego poeira porque moro embaixo da estante. estante que fica em cima da minha escrivaninha.
gosto daqui: converso com o robô verde, com o sapo vermelho, com a fada roxa e com a parede.
moro numa escrivaninha.
pra garantir minha temperatura, ando enrolada no meu paninho claro o ano inteiro. faça frio ou calor (já que sol não vejo quase nunca), estou sempre com ele por precaução.
não brincam nem conversam mais comigo. moro numa escrivaninha. já fui das amigas a líder, das vestidas a mais moderna, das feiticeiras a mais mágica, das bonecas as mais novas.
moro numa escrivaninha. nasci, cresci e virei enfeite. não pego poeira porque moro embaixo da estante. estante que fica em cima da minha escrivaninha.
gosto daqui: converso com o robô verde, com o sapo vermelho, com a fada roxa e com a parede.
moro numa escrivaninha.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
análise
não contei pra quase ninguém, mas já tá na hora.
contei pra uma moça, a um tempo atrás, sobre a minha vida. sobre a parte ruim dela. o efeito foi tipo jenga, puxei um tijolinho e veio tudo: puxei do fundo do baú coisas que talvez nem me encomodem mais pra contar pra ela. contei mesmo. a moça, coitada, ficou sem o que dizer e usou o diploma dela pra me indicar pra um tratamento psicologico clínico que me ajudaria a organizar a mente.
pra variar, demorei pra engolir. eu sempre preciso de tempo pra digerir as coisas. não por ser lenta, eu realmente gosto de pensar nas coisas com calma, analisar vários fatores e aspectos que tenham a ver. mania. quando a coisa realmente entrou no meu intestino cerebral, marquei uma consulta.
o lugar era legal, profissionais preparados e interessados. espertos e assustadores. na sala de espera, pessoas andando de um lado pro outro enquanto as estranhas permaneciam obedecendo a Lei da Inércia, sentadas, paradas. eu era uma delas, então posso falar bastante.
desci umas escadas e subi outras, acompanhada da psicóloga, até uma salinha. na salinha tinha três cadeiras. enquanto ela fechava a porta sentei na mais próxima. eu estava bem calma. ela sentou e ficamos uns 2 segundos paradas, olhando uma pra cara da outra (atualmente, ao menos na minha cabeça, dois segundos de silêncio são uma coisa notável). a entrada ao tratamento foi dada com a frase "e daí, o que te encomoda?" e eu dei um jeito de introduzir um monólogo. efeito jenga se repetiu, porque as coisas não mudam, mas dessa vez teve um detalhe.
meu monólogo não teve nem início, nem meio, nem fim. teve uns parágrafos e uma interrupção.
"querida, nosso tempo acabou. te ligo pra marcar outro horário".
contei pra uma moça, a um tempo atrás, sobre a minha vida. sobre a parte ruim dela. o efeito foi tipo jenga, puxei um tijolinho e veio tudo: puxei do fundo do baú coisas que talvez nem me encomodem mais pra contar pra ela. contei mesmo. a moça, coitada, ficou sem o que dizer e usou o diploma dela pra me indicar pra um tratamento psicologico clínico que me ajudaria a organizar a mente.
pra variar, demorei pra engolir. eu sempre preciso de tempo pra digerir as coisas. não por ser lenta, eu realmente gosto de pensar nas coisas com calma, analisar vários fatores e aspectos que tenham a ver. mania. quando a coisa realmente entrou no meu intestino cerebral, marquei uma consulta.
o lugar era legal, profissionais preparados e interessados. espertos e assustadores. na sala de espera, pessoas andando de um lado pro outro enquanto as estranhas permaneciam obedecendo a Lei da Inércia, sentadas, paradas. eu era uma delas, então posso falar bastante.
desci umas escadas e subi outras, acompanhada da psicóloga, até uma salinha. na salinha tinha três cadeiras. enquanto ela fechava a porta sentei na mais próxima. eu estava bem calma. ela sentou e ficamos uns 2 segundos paradas, olhando uma pra cara da outra (atualmente, ao menos na minha cabeça, dois segundos de silêncio são uma coisa notável). a entrada ao tratamento foi dada com a frase "e daí, o que te encomoda?" e eu dei um jeito de introduzir um monólogo. efeito jenga se repetiu, porque as coisas não mudam, mas dessa vez teve um detalhe.
meu monólogo não teve nem início, nem meio, nem fim. teve uns parágrafos e uma interrupção.
"querida, nosso tempo acabou. te ligo pra marcar outro horário".
volto?
domingo, 12 de junho de 2011
Funções
Altos e baixos em linhas retas, onde fatores variados influenciam as coordenadas do gráfico. Um dos eixos representa os fatores biológicos, especialmente hormonais, que normalmente influenciam a função a cair devido a mau humor ou espinhas. O outro eixo representa os fatores externos. Os mais complicados.
Para se sair bem nessa prova o aluno precisa saber, de cor e salteado, que o eixo dos fatores externos se classifica em família, colégio, colégio e amigos.
Construa o gráfico de:
- Família tudo na mesma, a quase dois meses.
- Colégio extressante, mas já faz tempo e estou acostumada.
- Colégio me faz acordar cedo, fico cansada. Estressada.
- Uma das minhas amigas quebrou a clavícula e as outras não me procuram no recreio.
- Já menstruei esse mês.
Resposta: uma constante em "ajuda".
Para se sair bem nessa prova o aluno precisa saber, de cor e salteado, que o eixo dos fatores externos se classifica em família, colégio, colégio e amigos.
Construa o gráfico de:
- Família tudo na mesma, a quase dois meses.
- Colégio extressante, mas já faz tempo e estou acostumada.
- Colégio me faz acordar cedo, fico cansada. Estressada.
- Uma das minhas amigas quebrou a clavícula e as outras não me procuram no recreio.
- Já menstruei esse mês.
Resposta: uma constante em "ajuda".
a propósito estou estudando função modular, me identifiquei com a moça.
domingo, 22 de maio de 2011
contar pessoas
Em um problema matemático não é possível se ter 0.5 pessoa, 1/2 população.
No Facebook tenho 475 amigos. Lê-se "pessoas onde há interesse em aceitar o convite de amizade virtual". No twitter tenho 310 followers. Lê-se spam, pedófilos, spam, uns conhecidos e spam.
Contar pessoas deve ser complicado. O Brasil gasta milhões, de século em século, pra contar um por um e depois fazer alguma coisa com o número. Foi divulgado não faz muito tempo, exatas (ou não) 190'732'964 pessoas. Ou meias pessoas. Ou desumanos.
Olhando umas fotos parei pra contar pessoas. Na foto vi 5 animais com polegar opositor e teleencéfalo altamente desenvolvido. 1,5 pessoa.
Contar pessoas, pessoas as quais devo contar, contar com as pessoas, pessoas me contarem.
Talvez 1 + 1 não seja dois, nem três. Quem sabe... 0,5?
obs: vale clicar no último link. de verdade
No Facebook tenho 475 amigos. Lê-se "pessoas onde há interesse em aceitar o convite de amizade virtual". No twitter tenho 310 followers. Lê-se spam, pedófilos, spam, uns conhecidos e spam.
Contar pessoas deve ser complicado. O Brasil gasta milhões, de século em século, pra contar um por um e depois fazer alguma coisa com o número. Foi divulgado não faz muito tempo, exatas (ou não) 190'732'964 pessoas. Ou meias pessoas. Ou desumanos.
Olhando umas fotos parei pra contar pessoas. Na foto vi 5 animais com polegar opositor e teleencéfalo altamente desenvolvido. 1,5 pessoa.
Contar pessoas, pessoas as quais devo contar, contar com as pessoas, pessoas me contarem.
Talvez 1 + 1 não seja dois, nem três. Quem sabe... 0,5?
obs: vale clicar no último link. de verdade
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Habitantes
Esses dias aprendi na aula de português que "hábito" tem quatro fonemas e "habito" tem cinco.
Hoje vi no National Geographic que existem mais bactérias do que insetos no mundo. Mais insetos do que humanos. Uma formiga para cada pessoa.
Ontem comprei duas revistas, uma vogue de 2009 de 324 páginas por dois reais e uma de decoração, dos anos 60, toda em chinês. Um real.
Ontem desisti de entrar num show porque me identifiquei com a minha formiga. Olhei pra fila e só vi tamanduás, com seus 25 ou 30 anos, bebendo cerveja num copinho de plástico.
Ontem cortei o cabelo. Eu não, a cabeleireira, logo a culpa foi dela. Ficou meio curto demais. Quando cheguei em casa, me perguntaram se eu não tinha exagerado. Eu não. Me disseram que cabelo curto rejuvenesce. Respondi, "putz!", replicaram "ah é, tu ainda quer crescer."
Fiquei na dúvida. Pensei melhor. Nunca mais vou deixar meu cabelo crescer.
Hoje vi no National Geographic que existem mais bactérias do que insetos no mundo. Mais insetos do que humanos. Uma formiga para cada pessoa.
Ontem comprei duas revistas, uma vogue de 2009 de 324 páginas por dois reais e uma de decoração, dos anos 60, toda em chinês. Um real.
Ontem desisti de entrar num show porque me identifiquei com a minha formiga. Olhei pra fila e só vi tamanduás, com seus 25 ou 30 anos, bebendo cerveja num copinho de plástico.
Ontem cortei o cabelo. Eu não, a cabeleireira, logo a culpa foi dela. Ficou meio curto demais. Quando cheguei em casa, me perguntaram se eu não tinha exagerado. Eu não. Me disseram que cabelo curto rejuvenesce. Respondi, "putz!", replicaram "ah é, tu ainda quer crescer."
Fiquei na dúvida. Pensei melhor. Nunca mais vou deixar meu cabelo crescer.
(mesmo)
segunda-feira, 2 de maio de 2011
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