Muito intenso isso tudo de se formar e de ter tanta gente emocionada a tua volta. Agora é aquela hora em que eles nos liberam pra abraçar os colegas, ainda bem, estou com dor no pé. Parabéns! Ah, parabéns pra ti também. Obrigada. Obrigada por tudo. Pois é, demorou eu acho. A gente conseguiu, achei que não ia dar. Parabéns! Obrigada! Que bom que tu veio. Já tem que voltar? Ah, obrigada, querido! Mas eu não ouvi nenhuma corneta mandando voltar. Voltei. G4.
Chato isso de eu não estar chorando. Ainda. Ainda? Mas imagina agora, daqui pra frente, não sei. Ou sei, mas que estranho. Perceber que provavelmente eu nunca mais vou ver a minha turma toda, junta. Mentira, amanhã tem o baile. Mas depois tem o vestibular, coisas ruim de se pensar agora, azar. Tontura. Tô tão pronta. Pro depois do vestibular. E que droga de tontura, não era pra estar, tô mexendo meus dedinhos desde cedo. Não sei que curso ela quer fazer, tenho que perguntar... Afinal isso não é hora de desmaiar. Acho que se eu pôr a mão na nuca e pressionar dá uma melhorada. Todo mundo deve estar olhando pra mim agora, que droga. Vira pra direita. Seis passos. Caí.
E acordei num dos poucos lugares do mundo em que eu sei que sempre vai ter um pra me salvar. No banco da arcada do lado da SEF e depois numa maca, pedi pra alguém levantar minhas pernas enquanto minha mãe me observava por cima com aquela cara de "só tu mesmo, Marcela". "Tu comeu antes de vir?" Comi, não sei se o suficiente. Mas acho que faz uma hora que eu não me mexo direito. Dois professores queridos, o pessoal da sessão de saúde, meus pais. Tá vindo a tua água. E o médico. "Foi só desmaio mesmo?", com uma caixinha de remédios azuis balançando na mão. Não sei, não sou médica. Acho que eu pensei de mais e dei uma morridinha. "Vamos voltar, tu tá bem? Tem que voltar, hoje tem que voltar."
Levantei e chega. De bobagem, te acorda. Tem outro copo d'água? Vou entrar pela conversão e ninguém vai ver. Tá bem mesmo? Tô. Eu sempre desmaio. De fome, de palidez ou de mindblow, eu sempre desmaio. Já pareço mais coradinha? Vou lá.
Aos gritos, minha série me botou pra dentro do nosso bloco de gente caminhante e pensante pra eu acabar de me formar. "Que susto, quase morri contigo, não faz mais isso." Não faço, desculpa, tô bem. Na verdade meio grog. Palmas. Gritos. Tô bem. Acabei o ensino médio. Que fase. Estou ótima. Regada a chuva de prata. É, estou muito bem.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
domingo, 17 de novembro de 2013
para passar rápido
durma cedo e acorde tarde. durma de tarde. ouça o bolero de ravel em loop infinito. depois o lado escuro do pink floyd. leia um livro bom atrás do outro. compre mais livros. não olhe pra janela. feche a veneziana. compre um caderninho pra anotar ideias. anote ideias. vá numa festa. flerte horrores e não pegue ninguém. sem decote. sem carinho. ligue um computador. acesse a wikipedia. adote umx gatx. ensine elx a te morder. espere todo mundo ir dormir. dance na sala. comece a assistir um filme ruim às duas da manhã ou da tarde. desmaie de tédio antes do fim. pinte as unhas. a cada três dias. vá no shopping. olhe as pessoas nos olhos. compre um ukulele. aprenda a tocar todas do beirut. descubra o que você gosta de estudar. pesquise sobre as melhores universidades do mundo nisso. perceba que beleza importa. entenda porque tanta gente odeia o Duchamp. entre no omegle. sem webcam. tenha amigos estrangeiros. que trazem outros amigos estrangeiros.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
late 18-year old
há uns três meses atrás eu comecei a contar. há uns três anos atrás eu comecei a desejar. há uns três vezes três anos atrás eu comecei a imaginar. eis que chegou na hora mais errada. quando achei que eu pudesse finalmente sentir o gosto da desilusão guela a baixo, me dão semana de provas pra estudar e me arrancam o dinheiro pra gastar. e nada disso foi pra ser poético. a questão é que eu só devia ter feito dezoito anos depois do vestibular.
ou não.
ou não.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
o papel da discórdia
Semear a discórdia. Onde o estado já garante o mínimo e a sociedade tende à inércia do conformismo, alguém tem que cumprir este papel. Este é o jovem e tuas as suas inexperiências, prepotências e ineficiências. Discordar ou concordar com os seus argumentos descabidos é um exercício vital de cidadania que transforma a suporta "rebeldia sem causa" característica deste momento da vida num indispensável mecanismo de politização de massas.
Sem faixa etária exata, jovens são impulsionados pelo instinto de formação da sua identidade. Crescer e almejar independência ou originalidade significa acreditar na possibilidade da existência de uma opção melhor do que a sugerida (ou quem sabe até imposta) pelos pais ou pela escola. A ânsia pela procura da melhor opção política e a insistência em protestos ou intervenções urbanas são exemplos deste indispensável momento de politização que movimenta grandes populações, seus valores e ideais, processo que não ocorreria se o jovem não acreditasse na sua capacidade de lutar pelo coletivo e de fazer a diferença.
A análise desse mecanismo se torna especialmente complicada quando o instinto rebelde do jovem é confundido com interesses de grandes instituições ou partidos. É comum que, na falta de um argumento mais eficiente, manifestações jovens que surtem efeito em massas sejam resumidas a atos de vandalismo pela grande mídia que trabalha diariamente pela inércia dos seus espectadores. Felizmente, acredita-se que a amplitude das maiores corporações informativas do mundo por vezes perde para a proximidade dos jovens otimistas que vão para a rua, comprovando mais uma vez a importância deste contraponto em uma sociedade democrática de direito.
Entre instintos e oportunismos, hoje se forma um novo conceito de cidadania, onde a massificação de opiniões e valores deixa de ser um problema quando a discórdia tem a oportunidade de se manifestar. Onde o papel do jovem e da sociedade que o cerca é discordar, concordar e, finalmente, debater.
Sem faixa etária exata, jovens são impulsionados pelo instinto de formação da sua identidade. Crescer e almejar independência ou originalidade significa acreditar na possibilidade da existência de uma opção melhor do que a sugerida (ou quem sabe até imposta) pelos pais ou pela escola. A ânsia pela procura da melhor opção política e a insistência em protestos ou intervenções urbanas são exemplos deste indispensável momento de politização que movimenta grandes populações, seus valores e ideais, processo que não ocorreria se o jovem não acreditasse na sua capacidade de lutar pelo coletivo e de fazer a diferença.
A análise desse mecanismo se torna especialmente complicada quando o instinto rebelde do jovem é confundido com interesses de grandes instituições ou partidos. É comum que, na falta de um argumento mais eficiente, manifestações jovens que surtem efeito em massas sejam resumidas a atos de vandalismo pela grande mídia que trabalha diariamente pela inércia dos seus espectadores. Felizmente, acredita-se que a amplitude das maiores corporações informativas do mundo por vezes perde para a proximidade dos jovens otimistas que vão para a rua, comprovando mais uma vez a importância deste contraponto em uma sociedade democrática de direito.
Entre instintos e oportunismos, hoje se forma um novo conceito de cidadania, onde a massificação de opiniões e valores deixa de ser um problema quando a discórdia tem a oportunidade de se manifestar. Onde o papel do jovem e da sociedade que o cerca é discordar, concordar e, finalmente, debater.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
terça-feira, 15 de outubro de 2013
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