toninha,
vomitei de nojo e ciúme quando te ganhei. eu tava com febre, a mãe não queria saber de mim e eu não aguentava mais ficar com só com o pai em casa, afinal o remédio era ruim e a comida também. foi chato também quando tu foi pra casa, tu chorava horrores, não parecia os bebês da televisão e não me chamava de mana. depois de um tempinho começou a ficar interessante. tu me imitava, tinha cabelo pra pentear, dormia no meu quarto e, na marra, sabia dividir a mãe e o pai comigo.
mas tem ficado cada vez melhor. tu tá grande (não mais alta do que eu), usa as minhas roupas, os meus sapatos, as minhas maquiagens e sabe-se lá o que mais quando eu viajo, mas sai comigo pra comer sorvete, divide tua tinta de tie dye, almoça no equilibrium e sempre, sempre me apoia no que eu faço. aí sim, minha irmã, obrigada! por ter nascido, por ter crescido e por ter sido tão importante pra mim.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
como nossos pais
Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais. Quando o assunto é o que de fato interessa, as demandas são as de sempre. Fora a comida, a bebida, a diversão e a arte, todas as gerações nascem e morrem atrás do mesmo objetivo: a felicidade. Só mudam os instrumentos e os caminhos que nos levam até lá.
As gerações se moldam de acordo com os prazeres e traumas da sua juventude. Infinitas vezes ouvimos comentários bons e ruins dos nossos pais ou avós que, normalmente acompanhados de suspiros, relatam sobre o pai rigoroso e os passeios no parque, sobre o machismo cruel e as coloridas discotecas. Nesse contexto, há quem diga que a moda, a ditadura, as mil moedas e a contracultura tenham tornado nosso pais bonzinhos demais ou até quase indiferentes, como uma forma de justificar numa análise simplista os problemas que hoje a juventude enfrenta.
Considerar que alguém nasce e cresce sob as asas dos pais, cujo papel é guiar o caminho dos seus filhos até a vida adulta, é uma ideia que deixa de fazer sentido quando desconsidera a influência do mundo que começa e acaba na porta de casa, quando se leva a educação dos pais para a rua e dela se trás a reflexão e o diálogo. Neste processo, denuncia-se fundamental não só o diálogo, mas também o conflito, o desentendimento e os problemas de relacionamento dentro de uma família.
Enganado estava quem pensou que o conflito entre as gerações era mais uma nova invenção. Ele é só mais um sintoma de que, no fundo, nada mudou. A vida ainda dói no peito de quem quem opta por crescer, seja dentro do computador ou do rádio de ondas longas, como uma consequência direta da busca por um sentido que nos faça querer continuar a viver essas terras.
As gerações se moldam de acordo com os prazeres e traumas da sua juventude. Infinitas vezes ouvimos comentários bons e ruins dos nossos pais ou avós que, normalmente acompanhados de suspiros, relatam sobre o pai rigoroso e os passeios no parque, sobre o machismo cruel e as coloridas discotecas. Nesse contexto, há quem diga que a moda, a ditadura, as mil moedas e a contracultura tenham tornado nosso pais bonzinhos demais ou até quase indiferentes, como uma forma de justificar numa análise simplista os problemas que hoje a juventude enfrenta.
Considerar que alguém nasce e cresce sob as asas dos pais, cujo papel é guiar o caminho dos seus filhos até a vida adulta, é uma ideia que deixa de fazer sentido quando desconsidera a influência do mundo que começa e acaba na porta de casa, quando se leva a educação dos pais para a rua e dela se trás a reflexão e o diálogo. Neste processo, denuncia-se fundamental não só o diálogo, mas também o conflito, o desentendimento e os problemas de relacionamento dentro de uma família.
Enganado estava quem pensou que o conflito entre as gerações era mais uma nova invenção. Ele é só mais um sintoma de que, no fundo, nada mudou. A vida ainda dói no peito de quem quem opta por crescer, seja dentro do computador ou do rádio de ondas longas, como uma consequência direta da busca por um sentido que nos faça querer continuar a viver essas terras.
sábado, 20 de julho de 2013
feliz dia
feliz dia do amigo. pra quem tem créditos no celular e nem tantas contas pra pagar. pra quem tem travesseiro, cobertor e ar condicionado. rímel e blush pra corar, sofá e mesa pra conversar, tempo e vontade pra continuar. pra quem tem dinheiro pra gastar, dinheiro pra comprar, dinheiro pra presentear. pra ser amigo de alguém.
feliz dia do amigo. pra quem esqueceu que amizade é mais do que tudo isso, pra quem vive de network, pra quem já tantas vezes foi e voltou e parece que até agora não entendeu. pra quem pra tantos ligou pra contar, pra chorar, pra reclamar, pra felicitar, e hoje pensou ter feito o certo comprando aquela caneca do chinês imigrante que hoje andava feliz.
afinal, feliz dia do amigo. feliz dia dos confirmados no facebook. feliz dia do conceito mais deturpado da vida. feliz dia do erro. feliz dia do, no fim, só mais um dia.
feliz dia do amigo. pra quem esqueceu que amizade é mais do que tudo isso, pra quem vive de network, pra quem já tantas vezes foi e voltou e parece que até agora não entendeu. pra quem pra tantos ligou pra contar, pra chorar, pra reclamar, pra felicitar, e hoje pensou ter feito o certo comprando aquela caneca do chinês imigrante que hoje andava feliz.
afinal, feliz dia do amigo. feliz dia dos confirmados no facebook. feliz dia do conceito mais deturpado da vida. feliz dia do erro. feliz dia do, no fim, só mais um dia.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
jeitinho que faz gingar
“Há quem sambe diferente noutras terras”, disseram os Novos Baianos há alguns anos, para lembrar ao Brasil de que o samba, as regras e os desregrados são, na verdade, universais. Infelizmente, o mesmo não acontece com o “complexo de vira-lata”. Este falso conceito de desonestidade atribuído pelo povo brasileiro a si mesmo é cultivado dentro e fora do país, inferiorizando nosso povo e sua cultura.
Frequentemente utilizado como desculpa para acabar com qualquer esperança, o hábito de transformar casos de imoralidade em uma característica comum a todo país torna a possibilidade de qualquer melhora como uma hipótese próxima do horizonte. O “jeitinho brasileiro”, aparentemente crônico àqueles que nascem neste país tropical, confunde o bom humor e a tranquilidade com um ar de falcatrua e caos que nos persegue há muito tempo - tempo este não suficiente para que tenhamos percebido que com esse espírito, não há Lula ou Dilma que nos salve. Devido a este veneno, o povo se sente parado frente ao sonho de ser um país desenvolvido, onde pessoas saudáveis e cultas podem passear por parques com o celular na mão e a bolsa aberta, no sentido de que um passo de progresso brasileiro parece nunca nos colocar mais a frente.
Fatos mais recentes revelam a falta de crença do povo brasileiro e seu jeitinho no verde e amarelo. Eventos como a Copa do Mundo e a Copa das Confederações conseguiram aflorar os resmungos constantes a ponto de abafar quase totalmente nosso amor milenar pelo futebol. Pouco se fala sobre a nossa seleção, pouco se fala sobre as nossas paixões nacionais, enquanto muito se reclama sobre dinheiro que sai do nosso bolso e é supostamente jogado aos quatro ventos. Uma classe média emergente, que parece sentir prazer em desmoralizar todos os sistemas públicos do país, dissemina esse falso conceito sobre o nosso jeitinho, além de não ter capacidade de olhar para o lado e perceber quem tem sentido a diferença da melhora que país atingiu nos últimos anos.
Nosso bamboleio tem que nos fazer gingar. Repensar sobre o jeitinho que borrifa esse ar venenoso pode transformar o conceito negativo que atribuímos a cultura brasileira no diferencial que mundo procura. Gostar do nosso bronzeado é o primeiro passo para que alguém mais goste dele. Perceber que o molho da baiana e o molejo do carioca só tem a nos favorecer é questão de ponto de vista, e acabar com o complexo de colônia vira-lata é uma necessidade.
Frequentemente utilizado como desculpa para acabar com qualquer esperança, o hábito de transformar casos de imoralidade em uma característica comum a todo país torna a possibilidade de qualquer melhora como uma hipótese próxima do horizonte. O “jeitinho brasileiro”, aparentemente crônico àqueles que nascem neste país tropical, confunde o bom humor e a tranquilidade com um ar de falcatrua e caos que nos persegue há muito tempo - tempo este não suficiente para que tenhamos percebido que com esse espírito, não há Lula ou Dilma que nos salve. Devido a este veneno, o povo se sente parado frente ao sonho de ser um país desenvolvido, onde pessoas saudáveis e cultas podem passear por parques com o celular na mão e a bolsa aberta, no sentido de que um passo de progresso brasileiro parece nunca nos colocar mais a frente.
Fatos mais recentes revelam a falta de crença do povo brasileiro e seu jeitinho no verde e amarelo. Eventos como a Copa do Mundo e a Copa das Confederações conseguiram aflorar os resmungos constantes a ponto de abafar quase totalmente nosso amor milenar pelo futebol. Pouco se fala sobre a nossa seleção, pouco se fala sobre as nossas paixões nacionais, enquanto muito se reclama sobre dinheiro que sai do nosso bolso e é supostamente jogado aos quatro ventos. Uma classe média emergente, que parece sentir prazer em desmoralizar todos os sistemas públicos do país, dissemina esse falso conceito sobre o nosso jeitinho, além de não ter capacidade de olhar para o lado e perceber quem tem sentido a diferença da melhora que país atingiu nos últimos anos.
Nosso bamboleio tem que nos fazer gingar. Repensar sobre o jeitinho que borrifa esse ar venenoso pode transformar o conceito negativo que atribuímos a cultura brasileira no diferencial que mundo procura. Gostar do nosso bronzeado é o primeiro passo para que alguém mais goste dele. Perceber que o molho da baiana e o molejo do carioca só tem a nos favorecer é questão de ponto de vista, e acabar com o complexo de colônia vira-lata é uma necessidade.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
eco-chatos-nomia
"O show tem que continuar", disse alguém em um dia em que ele quase parou - hipótese impensável para os dias atuais. Mais rápido do que o curso dos rios e que a sedimentação do petróleo, o mundo se desenvolve favorecendo os seguidores da filosofia empresarial do carpe diem, que explora o mais barato para crescer e ganhar do resto - de preferência ainda hoje.
Nesse cenário, surgem os "ecochatos". Com suas "ecobags", "ecocosas" e "ecolâmpadas", eles muitas vezes se esquecem de outra palavra parecida: a "economia". Esta sim, principal fonde de energia para o crescimento do mundo atual, é a primeira que deve ser mantida sustentável, pelo bem daqueles que não podem se dar ao luxo de pensar no depois de amanhã. Argumentos simples e fundamentais dos desenvolvimentistas no conflito contra os ditos sustentáveis, como a importância da estabilidade da energia produzida ou da qualidade do produto vendido, geralmente inviabilizam as ideias verdes daqueles que tentam projetar o futuro distante da humanidade.
Mas essa briga não exige um forte posicionamento, mas coerência. A utilização de fontes instáveis e renováveis de energia em locais propícios e de forma complementar, por exemplo, pode tornar viável um grande investimento nessa área para os bem aventurados do cenário econômico atual - os ditos "países desenvolvidos". Os ainda "em desenvolvimento", como a própria convenção internacional diz, sairiam com uma desvantagem ainda maior caso o crescimento não fosse priorizado antes de qualquer "ecopossibilidade".
Assim, embora normalmente perdendo, segue na batalha o conceito de desenvolvimento sustentável, que ainda não é capaz de sustentar todos os âmbitos do crescimento, que depende de muito mais do que matéria-prima e eletricidade. À espera do dia em que o ideal será encontrado, continuamos exigindo o de sempre: a casa e a comida mais barata, a informação e a educação de qualidade e o crescimento e o desenvolvimento do mundo que gira em torno da nossa realidade. A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.
Nesse cenário, surgem os "ecochatos". Com suas "ecobags", "ecocosas" e "ecolâmpadas", eles muitas vezes se esquecem de outra palavra parecida: a "economia". Esta sim, principal fonde de energia para o crescimento do mundo atual, é a primeira que deve ser mantida sustentável, pelo bem daqueles que não podem se dar ao luxo de pensar no depois de amanhã. Argumentos simples e fundamentais dos desenvolvimentistas no conflito contra os ditos sustentáveis, como a importância da estabilidade da energia produzida ou da qualidade do produto vendido, geralmente inviabilizam as ideias verdes daqueles que tentam projetar o futuro distante da humanidade.
Mas essa briga não exige um forte posicionamento, mas coerência. A utilização de fontes instáveis e renováveis de energia em locais propícios e de forma complementar, por exemplo, pode tornar viável um grande investimento nessa área para os bem aventurados do cenário econômico atual - os ditos "países desenvolvidos". Os ainda "em desenvolvimento", como a própria convenção internacional diz, sairiam com uma desvantagem ainda maior caso o crescimento não fosse priorizado antes de qualquer "ecopossibilidade".
Assim, embora normalmente perdendo, segue na batalha o conceito de desenvolvimento sustentável, que ainda não é capaz de sustentar todos os âmbitos do crescimento, que depende de muito mais do que matéria-prima e eletricidade. À espera do dia em que o ideal será encontrado, continuamos exigindo o de sempre: a casa e a comida mais barata, a informação e a educação de qualidade e o crescimento e o desenvolvimento do mundo que gira em torno da nossa realidade. A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
sobre busca e desordem
movimento pré-político que político que acompanha a força de uma tendência mundial. a busca pela utopia do novo mundo, a busca do que queremos, a busca do objetivo da nossa vontade. a violência é aquela que sempre acompanha o movimento que pede mudança, que causa o desconforto da desordem. no fim, o medo, que nada mais é o primeiro contato com o desconhecido, me ronda. mas vai passar. e que seja eterno enquanto dure.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
sobre a causa dos mudos
"A riot is the language of the unheard", disse aquele menino Martin Luther King Jr. quando um dia a voz faltou. E essa sim. Mais do que cinco centavos, mais do que vinte centavos, mais do que PEC, mais do que PAC, mais do que infelizes felicianos e desaventurados pelés, essa sim. Bombardeia e explode forte, de dentro pra fora, em quem tem o pulso mais vibrante que o sistema.
Mais vivos acordaram aqueles que até hoje dormiram assistindo um país onde acontece tudo de novo sempre, um país onde nada muda nunca. Mais vivos acordaram aqueles que, como eu, até hoje só tinham visto verbo em pixel. Mais vivos acordam aqueles que, quase sem querer, vão pra rua marchar pela causa dos mudos.
E eu tenho acordado feliz. Critiquem-se os vândalos, as balas de borracha, as bombas de qualquer coisa que valha ou não, a copa dos mundos, a copa dos monstros, os ônibus assim, as lixeiras assadas: azar. Tem gente na rua fazendo mais do ir pro trabalho. Fazendo mais do que voltar do trabalho. Fazendo mais do que ganhar papel pra pagar papel. Tem gente que se importa. Gente que se dá o trabalho de marchar e gritar pra dizer que sim, pra dizer que tem que ter jeito.
Mais vivos acordaram aqueles que até hoje dormiram assistindo um país onde acontece tudo de novo sempre, um país onde nada muda nunca. Mais vivos acordaram aqueles que, como eu, até hoje só tinham visto verbo em pixel. Mais vivos acordam aqueles que, quase sem querer, vão pra rua marchar pela causa dos mudos.
E eu tenho acordado feliz. Critiquem-se os vândalos, as balas de borracha, as bombas de qualquer coisa que valha ou não, a copa dos mundos, a copa dos monstros, os ônibus assim, as lixeiras assadas: azar. Tem gente na rua fazendo mais do ir pro trabalho. Fazendo mais do que voltar do trabalho. Fazendo mais do que ganhar papel pra pagar papel. Tem gente que se importa. Gente que se dá o trabalho de marchar e gritar pra dizer que sim, pra dizer que tem que ter jeito.
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